28/08/2010

Menos uma estação na linha do Campo Alegre

O Ministério do Ambiente entende que a linha do Campo Alegre tem paragens a mais entre a Praça do Império e a Faculdade de Letras, no Porto, e propõe a eliminação de uma das quatro estações projectadas. Também exige a ligação à Linha Amarela em S. Bento.


A declaração de impacte ambiental, que chumba a passagem das composições à superfície no Parque da Cidade e levou a Empresa do Metro a enterrar a linha e a deslocar a estação para a margem da Avenida da Boavista, sugere outras alterações ao traçado de 9,6 quilómetros entre Matosinhos e a Baixa portuense.

O Ministério do Ambiente não concorda que a Metro construa uma nova estação em S. Bento sem ligação à actual. A empresa pretende implantar a estação de S. Bento II no subsolo da Praça da Liberdade, prevendo-se apenas uma ligação técnica (para injecção de veículos) à plataforma existente onde pára a Linha Amarela (liga Porto a Gaia).

No documento, exige-se que, no momento de elaboração do projecto de execução, seja desenvolvida "uma solução de integração da estação de S. Bento da linha do Campo Alegre com a Estação de S. Bento da Linha Amarela. Solução preferencialmente do tipo mineiro, que considere a articulação em subsolo com a Linha D já existente e utilize, exclusivamente, os acessos de superfície já existentes" das estações dos Aliados e de S. Bento.

Da mesma forma, ordena-se à Empresa do Metro que reavalie a necessidade de construção das estações da Pasteleira, do Fluvial, de Lordelo e do Botânico (na Rua do Campo Alegre).

O Governo considera que estão demasiado próximas. Uma opção que "não parece consentânea com a velocidade que se pretende imprimir" na circulação do metro. A solução passaria pela eliminação de uma das paragens, relocalizando as restantes três para "não prejudicar o acesso das populações".


Linha de Valbom desviada para servir hospital-escola

O projecto da linha de Valbom será alterado para servir o hospital-escola da Universidade Fernando Pessoa, em Gondomar. O Ministério do Ambiente não exige mudanças ao traçado no Porto, até porque a Câmara não manifestou qualquer objecção.


O Município ficou em silêncio durante a consulta pública do estudo prévio (entre 28 de Abril e 28 de Maio) da linha que aproximará Campanhã (Porto) do centro de Gondomar. Não emitiu um parecer sobre o trajecto, apesar de, em Junho passado, a Maioria PSD/PP ter manifestado preocupação pelo facto do metro não servir Azevedo de Campanhã. Essa apreensão não foi expressa no momento em que o projecto esteve em discussão pública.

Daí que o Governo tenha concedido declaração de impacte ambiental favorável condicionada ao traçado, excepto no troço entre as estações de S. Pinheiro e Oliveira Martins. Só nessa zona haverá alterações, com um desvio para servir a unidade hospitalar em construção em S. Cosme. Ao contrário da Autarquia portuense, a Junta e a Assembleia de Freguesia de Valbom e a Câmara de Gondomar pronunciaram-se sobre o estudo prévio da Metro. O Município viu o seu pedido ser atendido.

A Autarquia liderada por Valentim Loureiro sugeriu que as composições passassem junto ao hospital-escola da Universidade Fernando Pessoa, criando-se uma nova estação. A Comissão de Avaliação, nomeada pela Agência Portuguesa do Ambiente, entendeu que a pretensão tem mérito, porque, "para além de permitir que a linha de Valbom venha a servir aquele equipamento, o que foi considerado muito positivo, poderá também proporcionar um incremento da população servida", como pode ler-se na declaração de impacte ambiental, emitida a 29 de Julho deste ano.

Assim, em vez de seis estações (três enterradas e três à superfície), a segunda ligação do metro entre Porto e Gondomar terá uma sétima paragem. Com uma extensão de 5,7 quilómetros - 48% em túnel -, a construção da linha custará 183 milhões de euros e demorará dois anos. O arranque da operação está previsto para 2018. A viagem entre a estação de Campanhã e o centro de Gondomar demorará oito minutos.

Menos felizes foram a Junta e a Assembleia de Freguesia de Valbom que defendiam a relocalização da estação S. Pinheiro para uma distância de 300 a 350 metros a Oeste, de modo a aproximar-se do centro da freguesia. Mas a mudança foi rejeitada por resultar num acréscimo de custos.

"A relocalização pretendida não só implicará o enterramento da estação S. Pinheiro, como não se prevê que a mesma se venha a traduzir num aumento de população servida que justifique os custos inerentes ao enterramento. Neste sentido e ponderando os custos/benefícios da pretensão, a CA [Comissão de Avaliação] considerou que a alteração proposta não se afigura uma medida eficaz", refere-se no documento, a que o JN teve acesso.

A execução desta ligação contempla a regularização fluvial do rio Torto numa extensão de 480 metros, o que implicará a construção de um novo pontão na EN209 e a relocalização do lavadouro na Rua do Freixo, do campo de jogos e do edifício de apoio. Esta obra obrigará a demolir, ainda, três casas e anexos em Campanhã, armazéns agrícolas em ruínas em Valbom e uma habitação em bom estado de conservação e um tanque em S. Cosme. O Governo exige que seja encontrado um novo espaço para que o funcionamento da feira semanal de Gondomar, cujo terreno será ocupado pelo metro, não seja afectado.

in: jn.sapo.pt secção "Porto" de 28 Ago/10

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