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03/03/2008

Bilheteiras universais na CP

Estação de Pinhal Novo. A um passageiro que ali queira embarcar parecerá estranho deparar-se com três bilheteiras: CP Regional, CP Lisboa e Fertagus. Se, por exemplo, quiser viajar para Coimbra, terá de comprar um bilhete para Entrecampos, outro para a Gare do Oriente e outro para o destino final. Um bilhete em cada bilheteira.

Esta situação vai acabar, pelo menos entre as bilheteiras das unidades de negócio da transportadora pública - CP Lisboa, CP Porto, CP Regional e CP Longo Curso - com a integração bilhética daquelas miniempresas. Deste modo qualquer passageiro poderá em qualquer estação comprar um título de transporte para qualquer destino, independentemente das unidades de negócio que vá utilizar.

Hoje ainda, em Cascais, um cliente da CP não pode comprar um bilhete para o Porto. E na Amadora é impossível comprar um bilhete para Pombal, devendo o cliente adquirir um título de transporte da CP Lisboa para o Oriente e outro da CP Longo Curso para a linha do Norte.

"Estas situações são um absurdo", reconhece Nuno Moreira, administrador da CP, para quem "o ideal é que a venda seja universal, independentemente da unidade de negócio". Por duas razões: porque é mais prático para os clientes e porque "a bilheteira única em toda a rede da CP evita a duplicação de esforços e de custos".

É que, por vezes, estão lado a lado funcionários da CP com equipamentos diferentes como se não fossem da mesma empresa. Uma situação herdada da administração de Crisóstomo Teixeira que aprofundou a divisão das unidades de negócios até ficarem "a um passo da escritura". O objectivo era que, mal houvesse decisão política, estas mini-CP fossem facilmente privatizadas. O resultado levou a que diferentes unidades de negócio comprassem sistemas de venda de bilhetes incompatíveis entre elas.

Aproveitar sinergias

Com as administrações de Américo Ramalho e Cardoso dos Reis, a situação inverteu-se e procura-se agora tirar partido das sinergias entre as várias unidades de negócio.

Nuno Moreira diz que o investimento para a integração bilhética até nem é muito caro e que internamente será fácil fazer a repartição da receita. Mas já o fecho das estações da CP Lisboa - que decorrerá durante 2008 - implica um investimento de 11 milhões de euros. O administrador prefere usar a expressão "controlo de acesso às estações" para não se pensar que estas vão fechar. O objectivo é fazer como no Metro e ter equipamento a vedar a entrada de passageiros sem título de tranporte válido.

Este projecto vai fazer diminuir a taxa de fraude, permitirá "ler" os fluxos de tráfego entre estações e dará mais "segurança e sensação de segurança" aos passageiros.

A CP vai adquirir novas máquinas e equipamentos de revisão nos próximos meses e, durante o segundo semestre, espera ter novas máquinas de venda automática e instalação do controlo de acesso. "Até ao fim do ano estará também integrado a venda do regional e do longo curso na CP Lisboa", diz Nuno Moreira.

O mesmo responsável diz que "nada nos impede de falar com a Fertagus" para cooperarem no âmbito da bilhética por forma a que os passageiros com um só bilhete possam, por exemplo, viajar entre o Pragal e Azambuja ou entre Setúbal e Sintra.

Também os revisores da CP irão dispôr de novas máquinas de venda, tecnologicamente superiores às que agora utilizam para, também eles, poderem vender bilhetes de praticamente todas as origens para todos os destinos da rede CP. "O ideal seria que qualquer revisor fosse uma bilheteira universal", diz Nuno Moreira, embora ressalve que tal será difícil nos comboios regionais e de longo curso devido à falhas de rede de telecomunicações.

As bilheteiras das estações são ainda os pontos de venda mais importantes da CP. Elas são responsáveis por 74 por cento das receitas do serviço de longo curso. A venda pelo Multibanco representa 5,2 por cento e pela Internet 5,3 por cento, com a particularidade desta última ter duplicado de 2006 para 2007. As agências de viagens e outros pontos de venda são responsáveis pelos restantes 15,5 por cento.

Para Nuno Moreira, o ideal é que a venda on-line continue a crescer, pois é a que tem menos custos para a empresa. Já as bilheteiras são os pontos de venda mais caros para a CP devido aos custos de pessoal, de equipamento e de espaço físico.

Sistema ainda funciona como acontecia há 50 anos

Quer comprar um bilhete de Lisboa para França no Sud Expresso? Não o pode fazer em qualquer estação da CP. Tem que se dirigir à Gare do Oriente ou a Santa Apolónia, em Lisboa, ou, então, a Campanhã, no Porto.

A rede de bilheteiras da CP não está, de facto, equipada para a venda internacional, as agências de viagens não o podem fazer directamente e o call center da companhia ferroviária nem sequer informa das disponibilidades de reserva. Este último, aliás, só dá preços de Portugal para Espanha e remete o cliente para a Internet para os preços do TGV entre Hendaya e Paris.

E, no entanto, desde há muitos anos que qualquer agência de viagens da mais recôndita vila portuguesa vende bilhetes de avião de qualquer parte do mundo para qualquer destino. Mas já para os comboios da CP de Lisboa para Paris ou para Madrid, tal não é tão fácil.

Nuno Moreira garante que isto vai mudar e que a CP vai finalmente entrar na UE ligando-se à rede Hermes, que permite aceder a uma base de dados europeus de horários de comboios e tarifas.
Nessa altura, a venda de bilhetes para o serviço internacional será alargada a todas as bilheteiras da empresa. Quando? "Gostaria que fosse ainda em 2008", responde o administrador.

in: www.publico.clix.pt secção Economia de 3 Mar/08

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