26/12/2011

Saiba o que vai mudar nos transportes em 2012

O sector dos transportes vai sofrer uma profunda revolução durante o ano de 2012. Para fazer face a uma divida acumulada de cerca 17 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 8% do PIB e tornar o sector sustentável, o Governo prepara-se para implementar uma série de medidas a concretizar durante o próximo ano.


O Plano Estratégico dos Transportes que está a ser desenvolvido pelo Ministério da Economia prevê uma revolução nos transportes sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa que concentra mais de uma dezena de operadores, e mais de 500 títulos de transporte.

A Carris e o Metropolitano de Lisboa serão fundidos numa só empresa, bem como a Transtejo com a Soflusa, e a STCP com o Metro do Porto.

A fusão das empresas no entender do Governo permitirão atingir maior rentabilidade, eficácia e ganhos de eficiência. A fusão permitirá em primeiro lugar, baixar o número de administradores que deverá fixar-se em três elementos por empresa, bem como o número de funcionários. Em todo o sector dos transportes poderão ocorrer cerca de duas mil rescisões, contando já com a TAP, ANA e Refer.

Segundo orientações do Grupo de Trabalho nomeado pelo Governo para a área dos transportes, em Lisboa o Metropolitano deverá reduzir a velocidade comercial de 60 para 45 km's/hora fora das horas de ponta. Na linha verde as carruagens deverão ser reduzidas para 3, bem como em todas as outras linhas a partir das 21h30 e aos fins-de-semana. Em alguns casos o Metro poderá vir a encerrar mais cedo, mas tal não significa que deixarão de haver transportes no período nocturno. A ideia é substituir os percursos do Metro por autocarros, o que significaria baixar custos mantendo a oferta.
Os átrios secundários das estações podem vir a encerrar a partir das 21h30.

A fusão de Carris e Metro arrastará consigo uma mudança profunda na mobilidade em Lisboa. As infraestruturas da rede do Metro passarão a ser geridas pela Refer, tal como acontece nas infraestruturas ferroviárias. A nova empresa que resultar dessa fusão, terá como missão racionalizar e reformular a oferta de transporte dentro da cidade numa lógica de articulação entre os dois modos de transporte, bem como com os restantes operadores da região. Para isso, serão reformulados os títulos de transporte passando a Carris e o Metro a dispor títulos comuns terminando portanto com os títulos monomodais de uma e outra empresa, e criados novos títulos intermodais de transporte, mais simples, o que permitirá criar maior flexibilidade na oferta de transportes e na repartição das receitas.

Quanto à Carris em particular, serão suprimidas 15 carreiras, e outras 15 serão encurtadas. A saber:

  • 10 ISEL - Praça Chile (supressão);
  • 12 Est. Stª Apolónia - Alcântara Mar (encurtada - mantém percurso entre Sapadores e Alcântara Mar);
  • 21 Saldanha - Moscavide Centro (suprimida);
  • 22 M. Pombal - Portela (suprimida);
  • 25 Est. Oriente - Prior Velho (suprimida);
  • 28 Restelo - Portela (encurtada - mantém percurso entre Restelo e Gare Oriente);
  • 30 Picheleira - Picoas (ajustamento do percurso semelhante a Agosto (via Penha de França e Rua Cesário Verde);
  • 31 Av. José Malhoa - Moscavide Centro (supressão do serviço nocturno e encurtamento do percurso diurno - mantém percurso entre Av. José Malhoa e Rua João Pinto Ribeiro);
  • 36 Cais Sodré - Odivelas (encurtada - mantém percurso entre Cais Sodré e Senhor Roubado);
  • 44 Cais Sodré - Moscavide (encurtada – mantém-se o percurso entre M. Pombal e Moscavide);
  • 49 ISEL - Est. Entrecampos (suprimida);
  • 54 Campo Pequeno - Alfragide (encurtada - mantém percurso entre Campo Pequeno e Buraca);
  • 70 Serafina - Esp. Monsanto (encurtada - mantém percurso entre Serafina e Sete Rios);
  • 74 Campo Ourique - Gomes Freire (redução da circulação de 1 veículo);
  • 76 Algés - C. Quebrada - FMH (suprimida);
  • 79 Olivais-Circ. (suprimida);
  • 201 Cais Sodré - Linda-a-Velha (supressão [extensão do período de circulação da carreira 751, com uma circulação adicional ao final da noite e duas circulações adicionais ao início da manhã]);
  • 202 Cais Sodré - Linda a Velha (suprimida [extensão do período de circulação da carreira 748, com uma circulação 202 C. Sodré - Linda-a-Velha adicional ao final da noite e duas circulações adicionais ao início da manhã]);
  • 203 ISEL - Boa-Hora (suprimida [extensão do período de circulação da carreira 742, com uma circulação adicional ao final da noite e duas circulações adicionais ao início da manhã]);
  • 205 Cais Sodré - Bairro Padre Cruz (suprimida [extensão do período de circulação da carreira 758, com uma circulação adicional ao final da noite e duas circulações adicionais ao início da manhã]);
  • 206 Cais Sodré - Senhor Roubado (suprimida [extensão do período de circulação da carreira 36, com uma circulação]);
  • 207 Cais Sodré - Fetais (suprimida [extensão do período de circulação da carreira 717, com uma circulação adicional ao final da noite e duas circulações adicionais ao início da manhã]);
  • 208 Cais Sodré - Estação Oriente (suprimida [extensão do período de circulação da carreira 782, com uma circulação adicional ao final da noite e duas circulações adicionais ao início da manhã]);
  • 210 Cais Sodré - Prior Velho (suprimida [extensão do período de circulação da carreira 781, com uma circulação adicional ao final da noite e duas circulações adicionais ao início da manhã]);
  • 701 Charneca - Campo Ourique (supressão do serviço nocturno e encurtamentamento percurso - manter percurso entre Campo Grande e Campo Ourique);
  • 706 Cais Sodré - Estação St. Apolónia (é reduzida a circulação de 1 veículo);
  • 708 Martim Moniz - Parque Nações Norte (encurtada - mantém-se o percurso entre Martim Moniz e Rossio do Levante);
  • 709 Terreiro Paço - Campo Ourique (encurtada - mantém percurso entre M. Pombal e Campo Ourique);
  • 711 Terreiro Paço - Alto Damaia (encurtada - mantém percurso entre Terreiro Paço e Est. Damaia);
  • 714 Pç. Figueira - Outurela (supressão serviço nocturno e passa a ter terminal junto Est. de Benfica);
  • 716 Arco do Cego - Benfica (supressão do serviço fora das horas de ponta - mantém apenas no periodo 07:00-10:00);
  • 717 Fetais - P. Chile (encurtada - mantém-se o percurso entre Galinheiras e P. Chile);
  • 718 ISEL - Al. D. Af.Henriques (encurtada - mantém percurso entre Al. D. Afonso Henriques e Poço Bispo);
  • 724 Alcântara - Pontinha - R. St. André (suprimido serviço nocturno);
  • 726 Sapadores - Pontinha Centro (encurtada - mantém-se o percurso entre Sapadores e R. St. André);
  • 729 Bº. Padre Cruz - Algés (suprimido serviço nocturno);
  • 732 Hospital St. Maria - Caselas (encurtada - mantém percurso entre Restauradores e Caselas);
  • 745 Terreiro Paço - Prior Velho (suprimida):
  • 753 Praça José Fontana - Centro Sul (suprimida);
  • 760 Martim Moniz - Cem. Ajuda (prolongamento do percurso via Desterro, Campo M. Pátria e Campo Santana, com novo terminal na Gomes Freire);
  • 764 Cid. Universitária - Damaia Cima (suprimida);
  • 765 Colégio Militar - Metro - Cemitério Benfica (reduzida a oferta em 1 veículo);
  • 777 Campo Grande Metro - Ameixoeira (suprimida);
  • 790 G. Freire - Principe Real (suprimida);
  • 793 Marvila - Estação Roma Areeiro (suprimido serviço nocturno);
  • 797 Sapadores - Arco Cego (suprimida);
  • 799 Colégio Militar (Metro) - Alfragide Norte (suprimida):
  • 18E R. Alfândega - Cemitério Ajuda (suprimida).

Nas ligações fluviais do Tejo propõem-se fundir a Transtejo e a Soflusa, reduzir acabar com a ligação Cais do Sodré-Porto Brandão-Trafaria. A ligação ao Montijo apenas será feitas nos dias úteis e às horas de ponta.

No Porto, a STCP e o Metro também darão origem a uma nova empresa de transportes. Na mesma lógica de racionalização dos recursos e na adaptação da oferta à procura entre os dois modos de transporte, o sistema tarifário Andante (tarifário intermodal utilizado nas duas empresas, CP, e algumas linhas de operadores privados) será alargado a todos os operadores.
Em concreto no Metro não haverão mexidas dado que se trata de uma empresa concessionada a privados.

Na STCP de acordo com a proposta da empresa entregue ao Grupo de Trabalho propoêm-se as seguintes alterações:
 Já em 2012 entregar à gestão privada 16 linhas e reduzir o serviço em mais 22.

As linhas da STCP actualmente concessionadas aos privados como o caso das linhas 10, 55, 64, 68, 69, 70, 94 e ZR deverão ser entregues definitivamente aos concessionários que deverão ficar com a operação. Assim, a STCP passará a operar apenas as linhas de maior procura como as do centro da cidade, retirando os privados do centro que passarão a ter o término junto às estações de metro da Casa da Música, caso da Resende que deixará de servir a Cordoaria, e Hospital de S. João e Campanhã ou Estádio do Dragão no caso da Valpi e Gondomarense que deixam de servir o Bolhão. Assim, a STCP irá substituir a linha 94 da Valpi pela linha 700 entre o Bolhão e Valongo-Estação, embora com uma frequência inferior, e a linha 94 passa a terminar junto do E. Dragão ou Campanhã.
A STCP irá proceder igualmente à redução da oferta em mais 22 linhas que fazem ligação do Porto aos concelhos limítrofes, sobretudo no período nocturno e nos fins-de-semana: caso das linhas 500, 502, 503, 504, 506, 508, 600, 601, 602, 603, 604, 705, 803, 805, 900, 901, 902, 903, 904, 906, e 907. A linha 61 concessionada à Valpi verá reduzido o seu percurso entre Matosinhos e a Formiga. As linhas 902 e 903 serão operadas de forma intercalar pela STCP e pela Espírito Santo.
Outras linhas irão pura e simplesmente ser eliminadas: caso da linha 505 que passará operação à Resende, 507 que tem um percurso equivalente à linha 104 da Resende, 706 e 707 que passam a ser feitas pela Maia Transportes, 804 cujo percurso passará para a Gondomarense; e ZF que passará para a empresa Sequeira Lucas e Ventura.
A linha 503 será reduzida até ao NorteShopping sendo o restante percurso assegurado pela linha 118 da Resende; a 508 que será feita até Esposade, e o restante percurso assegurado pela linha 119 da Resende.
Linhas inalteradas: todas as linhas que só servem a cidade do Porto (cuja numeração de 3 dígitos se inicia por 2.., 3.., ou 4..), e as linhas 501, 701, 702, 703, 704, 800, 801, 806 e 905.

Na CP propôem-se reduzir cerca de 600 km’s de linhas. No final do presente ano, para além de ser reajustada a oferta em todos os segmentos de negócio, a CP irá desactivar as linhas do Tua, do Leste, do Tâmega e do Corgo (estas últimas suspensas desde 2009 para modernização). Posteriormente, serão desactivadas as linhas do Vouga e do Oeste.
Na Unidade de Suburbanos de Lisboa pretende-se reforçar as ligações para a Est. do Oriente. Contudo, fora das horas de ponta haverá uma diminuição da oferta quer pelo número de ligações/hora, quer pelo número de composições em circulação.
A CP Lisboa abandonará os títulos monomodais à semelhança da Carris e Metropolitano, e será criado o passe cidade utilizado pelos diferentes operadores à semelhança do que já acontece com o Andante no Porto. Neste caso, o Grupo de Trabalho propõe o alargamento do Andante a todas as linhas.

Qualquer uma destas empresas de transporte será alvo futuramente da concessão da exploração a privados como acontece actualmente com o Metro do Porto, por períodos entre cinco a dez anos.

A TAP será privatizada durante o ano de 2012, como é exigência da Troika, apesar do Memorando de Entendimento prever a privatização até ao final do corrente ano.

É travado o novo aeroporto de Lisboa, e estuda-se a possibilidade de alargamento da Portela para a base aérea de Figo Maduro.

A linha de “alta velocidade e” para Madrid dão lugar a linha de “velocidade elevada”, ou seja, composições a circularem até 250 km’s/h, e serão adjudicadas obras para a construção das linhas entre Sines e Badajoz, Aveiro e Salamanca, e entre Porto e Vigo, nos mesmos preceitos de “velocidade elevada”, em vez da “alta velocidade”.

A reter: em 2012 serão fundidas empresas, haverá uma diminuição do número de trabalhadores e administradores, serão suprimidas linhas da STCP, Carris e CP enquanto outras serão encurtadas. Será criado um passe para a cidade de Lisboa que agrega todos os operadores à semelhança do que acontece no Porto, e futuramente as empresas serão concessionadas a privados.

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