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28/11/2007

Associação Comercial do Porto apresenta estudo sobre novo aeroporto de Lisboa

A construção de um aeroporto para companhias de baixo-custo ("low-cost") na base aérea do Montijo, a funcionar, já em 2010, em simultâneo com a Portela - para companhias de "bandeira" até ao esgotamento da sua capacidade - traria uma poupança de cerca de dois mil milhões de euros face à opção Ota, defende o estudo encomendado pela Associação Comercial do Porto (ACP) sobre a hipótese "Portela+1". Usando a Ota como referência, o estudo - a apresentar hoje - também analisa as opções Portela+Alcochete e construção faseada de Alcochete, como proposto pela Confederação da Indústria Portuguesa, mas ambas perdem para a alternativa do Montijo.

Só no investimento na infra-estrutura, revela o documento coordenado pela Universidade Católica a que o JN teve acesso, a poupança da opção Portela+Montijo ascende a 1463 milhões de euros. Mas a este valor há mais duas componente a somar os ganhos obtidos pela não necessidade de construir um elevado volume de acessibilidades rodoviárias e ferroviárias (206 milhões) e a poupança nas chamadas externalidades (357 milhões), o que inclui emissões de dióxido de carbono, tempo gasto em viagens e outras variáveis socioeconómicas. Tudo somado, são 2026 milhões de euros - dois terços do custo da construção da Ota.

Alcochete perde

Também a opção Portela+Alcochete foi estudada pela equipa coordenada por Álvaro Nascimento, que se debruçou sobre uma série de variáveis (ver texto em baixo). Neste caso, a poupança face à Ota ascenderia a cerca de 1,3 mil milhões de euros. Ainda assim, esta hipótese seria cerca de 150 milhões de euros mais cara do que a do Montijo, sobretudo devido à necessidade de trabalhos preparatórios nos terrenos no Campo de Tiro.

Já a construção, de forma faseada, de um novo aeroporto nesta infra-estrutura militar, hipótese que é defendida pelo estudo da CIP, traria uma poupança de "apenas" 185 milhões de euros face à Ota, uma vez que, apesar de os custos de construção serem 759 milhões de euros mais vantajosos do no caso do aeroporto previsto no programa de Governo, as externalidades têm um peso elevado (ver ficha).

Mais flexibilidade

A opção por uma solução transitória, defende o documento , deriva do facto de, neste sector, haver uma "elevada incerteza", quer em termos de crescimento do tráfego, quer no peso das "low cost". Também a entrada em funcionamento da alta velocidade ferroviária pode alterar as previsões que têm sido feitas para sustentar a decisão de construir um novo aeroporto de raiz. Acresce o forte investimento em curso na Portela (380 milhões de euros para aumentar a sua capacidade dos actuais 13 milhões para 18 milhões de passageiros em 2018) que não será rentabilizado se, entretanto, a infra-estrutura for encerrada para dar lugar a outra. "Uma decisão que se revele errada no longo prazo pode ter implicações severas para a sociedade", afirma o estudo, onde se defende que "o Estado deve evitar comprometer montantes avultados de capital (...) num contexto em que ocorrem mudanças profundas no modelo de organização da indústria do transporte aéreo de passageiros".

Uma "opção flexível" é, neste contexto, a que melhor se adequa, defende-se no estudo. Ou seja, a Portela pode continuar a funcionar mas, quando esgotar (ou seja, quanto atingir os 18 milhões de passageiros), existe a hipótese de encerrá-la e transformar o Montijo num aeroporto para todas as companhias.

Uma abordagem que visa "evitar um erro"

A forma como o estudo da ACP aborda a questão do novo aeroporto de Lisboa é deferente daquelas que têm sido apresentadas, uma vez que integra a análise dos custos e proveitos (benefícios privados) com a dos efeitos da localização em termos do território, ponderando as implicações ambientais e sobre a sociedade em agentes que utilizam o aeroporto.

Assim, são tidos em conta factores como o valor económico-financeiro do investimento propriamente dito, os investimento associados às acessibilidades que a infra-estrutura acarreta, o valor das externalidades negativas sobre os passageiros nas acessibilidades ao aeroporto, , a estimativa de custos ambientais, o impacto sobre o ordenamento do território e as externalidades que o aeroporto pode produzir sobre os parceiros aeroportuários. O estudo, que visa "evitar o erro" de não contemplar a hipótese Portela+1 na decisão sobre o aeroporto, foi realizado pela Universidade Católica, juntamente com o Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada da sua Faculdade de Economia e Gestão e a TRENMO, empresa especializada em projectos de engenharia.

Valor económico- -financeiro-no aeroporto

Portela+Montijo custa menos 1463 milhões. Portela+Alcochete fica por menos 1314 milhões e a solução faseada de Alcochete menos 759 milhões

Custos em acessibilidades

Poupança de 206 milhões nas soluções Portela+Montijo e Portela+Alcochete. A solução de Alcochete modular não traz ganhos face à Ota, até porque implica mais custos em alta velocidade ferroviária e acessos rodoviários.

Externalidades socioeconómicas

O custo das deslocações, emissões de CO2 e sobre a actividade de todos os agentes reduz-se em 357 milhões no Portela+Montijo. Portela+Alcochete e Alcochete modular teriam externalidades negativas de 164 milhões e 574 milhões respectivamente.

in: www.jn.pt primeira página de 27 Nov/07

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