15/08/2008

Habitantes da Lousa com poucos autocarros aos fins-de-semana

Cada vez que os habitantes de Lousa, em Loures, querem apanhar um autocarro com destino a Lisboa debatem-se com uma longa espera. Aos domingos e feriados, esta pode ser mesmo superior a uma hora.

O olhar nervoso de Carlos Máximo, 59 anos, saltita entre o relógio e a curva atrás da qual se esconde a estrada que vem da região Oeste. De vez em quando, suspira, sem conseguir conter o desabafo: "Nunca mais!".

Quando trabalha de semana, Carlos Máximo não tem grandes problemas ao nível dos transportes públicos. Mas aos domingos e feriados, o caso muda de figura. "É desesperante", desabafa. "Já perdi a conta das vezes que chego atrasado. O que vale é que o meu chefe é boa pessoa", acrescenta.

Para o vendedor, trabalhar fora dos dias úteis é sinónimo de ir para a paragem meia hora mais cedo do que o habitual e fazer figas para que o autocarro não demore muito. "Como não tenho carro, não tenho outra hipótese", lamenta.

Joana Costa tem automóvel mas faz todos os possíveis por não o usar. Ecologista empedernida, deu sempre prioridade aos transportes colectivos. Com a subida do preço dos combustíveis, praticamente não pega no carro.

A professora do ensino básico, de 32 anos, diz ficar "revoltada" com o "mau serviço" que as empresas de transportes públicos prestam na zona de Lousa. "Percebo que um autocarro que não ande sempre cheio não deve dar muito lucro às empresas, mas é para isso que elas recebem compensações do Estado", afirma .

A freguesia de Lousa é servida pelas empresas de transportes Isidoro Duarte e Grupo Barraqueiro. Segundo o horário disponibilizado no sítio da Isidoro Duarte na Internet, a certas horas do dia de domingos e feriados, os autocarros do grupo passam de hora a hora.

António Quintela, da Barraqueiro Oeste, explica que também nesta empresa "a oferta aos domingos e feriados é muito reduzida" em relação aos dias de semana, e admite que os tempos entre autocarros chegam a ultrapassar uma hora.

"É um ciclo vicioso. A procura é baixa, pomos menos autocarros e o número de passageiros ainda baixa mais. Mas, com o preço do gasóleo, não podemos ter autocarros vazios a circular".

O responsável afiança, no entanto, que não houve nenhuma alteração na oferta e que, recentemente, não tem havido queixas dos clientes em relação à escassez de carreiras.

Quanto ao cumprimento dos horários, outro dos pontos problemáticos, segundo alguns dos utentes com quem o JN falou, António Quintela garante que a empresa tudo faz para o assegurar e que esse objectivo só não é cumprido quando há problemas de circulação.

"Às vezes o problema é o trânsito, sobretudo na cidade de Loures, que está sempre em obras", avança o responsável pela transportadora.

in: www.jn.pt secção "Lisboa" de 15 Ago/08

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